domingo, 30 de julho de 2017

RECADO EM GUARDANAPO

Em meio a tantas bandeiras...
Poucas mesas postas para amenizar a fome...
Poucos lenços para secar lágrimas
Poucos cobertores para aquecer do frio

Muitas siglas, poucas palavras ditas com afeto e verdade
Muitos partidos, poucas identificações
Muitos rótulos e segregações. pouca solidariedade

Bom dia!

sábado, 29 de abril de 2017

ALIENAÇÃO

Deixou apenas ser luz
As estrelas
Acreditou
Que folhas secas
São as dúvidas
Que secam

Tudo
Ficou sem sentido
Como o apelo
De ser
Que
Deixou-se macerar
No tempo
Da indiferença

E até mesmo
A xícara de café
Que o acordava
Esfriou
No esquecimento
Do que era

Sorriu

Que por fim,
O amanhecer
Se tornou
Risada de uma
Tristeza
Que não existia

MARIS FIGUEIREDO

"MÃOS EM OBRAS"



"MÃOS DE OBRAS"

Trabalho em casa...
Planejo...
Corrijo avaliações...
Discuto com meus botões...

Às vezes, me sinto usada
Por tantos lados,
Multifacetados
Turvos
Tantos, todos, tolos
Entrelaçados
Uma teia de enganos

Da minha pequenez
E da minha frágil intelectualidade
Avisto muito bem as minhas dúvidas
Minhas dívidas e procuras
Meus equívocos
Dores
Os dias de alegrias
Os dias de
Doçuras junto a alguns
Irmãos de labuta
Aqueles que tornam leve
O fardo de tanto luta

Me deixem então
Buscar-me!
Considerada desertora por aqueles
Que sequer me escutam os passos
Eles estão tão alto
Não me enxergam aqui embaixo
Apenas enxergam pontos
Datas, horários
Descontos
Onde eu enxergo gente
Histórias, dias de aprendizados
Comungando com aqueles que todos
Os dias me encontram nas salas
Nos setores de trabalho...

Minhas mãos de obras
Meu coração pulsando vida, desejoso de obras

Meus pensamentos que constroem obras, que criam obras, que dão sentido a elas...
E todo meu corpo

Serão assim desprezados?

Sim, eu sei
Me sinto usada
Por tantos lados

Maris Figueiredo


sexta-feira, 24 de março de 2017

AMORDEMAR


EMBRIAGADO NOS SONHOS DE ONTEM
LANÇADOS
PENSEI QUANTOS TERÃO SE ENTRELAÇADO
FEITO AS REDES QUE REBANHAM
OS PEIXES SOBREVIVENTES
DE TANTO DESCASO
O MAR, ENTÃO, CARREGADO
DE DESCARREGOS VARIADOS
ABRAÇA A AREIA
BRAVO
ESPUMANDO O VAI E VEM DA VIDA
INTERMINÁVEL DE RESTOS DO QUE CHAMAM FESTA
TÃO
DOCE E MISTERIOSO. BARULHENTO E SILENCIOSO...
PARECE EFEITO DA POESIA IMPRESSIONISTA
A DIVINDADE PINCELOU NELE
O ETERNO, O BELO E A MANSUETUDE...
TODO HARMONIA EM CONSTRASTES
SOMBRAS E LUZES
ESCUTO E FECHO OS OLHOS
SINTO...
RESPEITO O MAR...
SUA CORAGEM EM MOSTRAR-SE
UM DIA AMA E SURPREENDE
NOUTRO DEVOLVE O QUE GANHOU E NÃO CONSIDERA PRESENTE
E SE RECOLHE NA CALMARIA E BRAVURA
DE QUEM PRA SEMPRE É MAJESTOSO EM SUA SIMPLICIDADE

MARIS FIGUEIREDO

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

MENSAGENS

No escuro do quarto
A lua acesa
E o perfume das verbenas
Aquecido de ser no
 Incenso iluminado

Nem sei o que escrevo

Ventam mensagens
Pela janela, enquanto
Flutuo em fases

E a lua sempre acesa
E o perfume das verbenas sempre
Sempre me invadem


Maris